Diante de variadas opiniões, suposições e divergências sobre o novo e o velho normal, tomar decisões sobre como, quando e se é viável voltar ao trabalho presencial pode parecer uma tarefa complexa e difícil.

O principal motivo é que a incerteza ainda é muito grande e, mesmo assim, muitas pessoas parecem querer nos impor previsões infalíveis, seja para defender o isolamento, seja para sugerir a abertura.

Contudo, a verdade é que, concretamente, só sabemos que a pandemia acelerou as tendências do marketing digital e aumentou a disposição pelas compras on-line, mas outras mudanças ainda não estão tão claras assim.

Por isso, este conteúdo não é sobre nossos argumentos para convencê-lo do que é melhor, mas sim um pequeno guia para ajudá-lo a refletir de forma ponderada sobre o que fazer no seu caso. Afinal, ninguém conhece sua realidade melhor do que você. Confira nossas dicas!

Levante as normas

Saber as regras definidas para a sua região é um passo importante para avaliar a abertura, pois qualquer impossibilidade de cumprir com as exigências pode ser um problema. Ao mesmo tempo, a maior dificuldade é a inconstância. Na maioria das regiões, o comércio pode ser autorizado a abrir em um dia e, pouco tempo depois, ser fechado novamente.

No entanto, como sempre ocorre com a gestão de negócios, você precisa se concentrar no que está sobre o seu controle, especialmente no seu ponto de venda, que é justamente a adequação às normas de distanciamento que dificultam o contágio.

Instalar proteções acrílicas em balcões, garantir a quantidade ideal de equipamentos de proteção, como máscaras e óculos, marcar posicionamentos com a distância ideal, usar medidores de temperatura e manter álcool em gel no percentual recomendado são as principais exigências, mas elas podem variar de região para região. Por isso, consulte a vigilância sanitária da sua cidade.

Determine as medidas de segurança necessárias

Independentemente das regras impostas pelo poder público, o importante é se dedicar a garantir a segurança e o bem-estar das pessoas que frequentam o seu estabelecimento. Todo empreendedor é especialista em cuidar bem do cliente, o que assume uma nova conotação no contexto da pandemia.

Até mesmo a gestão do estoque precisa ser pensada considerando o aspecto dos cuidados sanitários, especialmente se o seu ambiente favorecer a proliferação do vírus.

Conheça os desejos e as necessidades dos envolvidos

Apesar do seu esforço para proteger os seus clientes, se eles não estiverem dispostos a voltar ao contato presencial, pode ser inviável pensar no retorno. Em algumas situações, como a que ocorreu no comércio de rua carioca, ao final de julho, os estabelecimentos retomaram as atividades, mas os clientes não apareceram. 

Não é muito simples deduzir algo sobre esse cenário, pois muitos negócios que apresentam maior risco voltaram a ter um bom movimentos em situações de abertura, enquanto estabelecimentos que podem ser considerados mais seguros não tiveram a mesma aceitação.

Fazer uma pesquisa abrangente também pode sair mais caro do que a tentativa de experimentar a abertura, mas isso não impede que você realize um levantamento prévio, consultando clientes mais próximos.

Seja como for, o que precisa ficar claro é que a lógica dos negócios não mudou com a pandemia. A maioria dos empreendimentos sabe muito bem como agradar ao cliente, oferecer uma boa experiência para ele e entregar um valor superior, resolvendo os problemas com os quais ele convive.

O que muda é que, em uma pandemia, os problemas são outros. Dependendo do seu público, pode ser que ele procure formas de economizar, pois está sem renda ou ganhando muito menos. Em outros casos, o consumidor pode ser mantido. Inclusive, em situações mais raras, é possível até aumentar os seus ganhos, fazendo com que a maior preocupação seja a questão da segurança.

Então, procure entender o comportamento de compra do público nessa situação, verifique suas necessidades e tome a sua decisão, de um modo que possa garantir o que o seu cliente precisa e deseja.

Considere os seus colaboradores

A sua equipe também é importante e, provavelmente, cada colaborador terá sua própria opinião e condição. O ideal é tratar caso a caso, considerando o risco de contágio de cada um. Os que precisam percorrer longas distâncias de transporte público, por exemplo, estarão mais expostos.

No caso dos mais idosos e com maior risco, você pode usar a tecnologia para que continuem trabalhando remotamente, se a presença física não for essencial. Para alguns colaboradores, pode ser suficiente se deslocar uma vez na semana para uma reunião, o que pode viabilizar que usem o carro.

Ou seja, como você pode perceber facilmente ao ler os dois parágrafos acima, não existe uma receita pronta para essa decisão. Ao mesmo tempo, fica claro que não há uma solução única, que resolva todos os casos.

Por isso, ao menos no período de pandemia, você precisará exercer a sua liderança para criar a consciência de que a ideia de que é justo que todos recebam o mesmo tratamento não vale para esse caso.

Avalie diferentes cenários possíveis

Já vimos que estamos vivendo um momento de grande incerteza. Qualquer um que diga que sabe exatamente o que vai acontecer, provavelmente, vai errar muito. Assim, fica bastante difícil fazer a gestão financeira, as previsões e os planos. A solução para esse dilema é pensar em diferentes cenários e buscar uma solução equilibrada.

Pense ao menos em 3 diferentes contextos, que são:

  • o otimista: o que aconteceria no melhor cenário em termos de ganhos, receita e captação de recursos, se necessário;
  • o realista: é uma visão mais” pé no chão”, intermediária entre as duas outras;
  • o pessimista: um quadro que considera o que de pior poderia acontecer. 

A ideia aqui é usar essas três visões e buscar alternativas para proteger o negócio e as pessoas em todas elas. Isso ajuda a pensar em como resolver os problemas se os resultados não forem bons, o que é ótimo para fazer as projeções financeiras e, se possível, buscar formas alternativas de proteção, como a pré-aprovação de crédito emergencial.

Nas suas projeções, você precisará usar relatórios gerenciais e outras fontes de informação, mas deverá analisá-los com maior cuidado e critério, especialmente os relativos a períodos com movimento regular, pois os números tendem a se “comportar” de um modo diferente do que costuma ocorrer.

Em cada um dos contextos que simular, procure estabelecer diversas situações e considere sempre a relação entre ganhos e despesas, no lugar de apenas o faturamento. Em situações como a atual, pode ser que receitas adicionais provenientes da oferta de atendimento presencial não compensem os custos de manter o negócio aberto.

Por fim, agora que você tem todos os elementos que precisa para considerar voltar ao trabalho presencial, não poderíamos deixar de desejar toda sorte, força e a determinação que o momento exige de todos nós. Vamos continuar produzindo conteúdos para apoiar sua iniciativa e empreendimento.

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