Entender a diferença entre fluxo de caixa direto e indireto é fundamental para aproveitar as vantagens dessas ferramentas, principalmente porque a distinção central está na função de cada uma delas. Ou seja, elas devem ser aplicadas com objetivos diferentes, dependendo da necessidade de informação do gestor. Ao dar continuidade à leitura, esse aspecto vai ficar cada vez mais claro para você.

Antes disso, o importante é que você saiba que muitos negócios já quebraram pela falta de controle do fluxo de caixa. Os dois tipos de monitoramento que apresentaremos neste texto são fundamentais para acompanhar a circulação do dinheiro no seu caixa e para avaliar o resultado operacional de cada período, o que significa que, sem eles, a empresa pode ter problemas, como a falta de dinheiro em um dia, a sobra em outro ou a lucratividade comprometida. 

Não tem outra maneira de controlar essas ameaças que não seja começando pelas definições e diferenças entre os fluxos de caixa. Por isso, mantenha a atenção ao texto e confira! 

O que é fluxo de caixa?

O termo fluxo, no significado de “escoamento” ou movimento de algo que segue um curso, é uma boa pista para começar esse entendimento. Isso porque o fluxo de caixa é, justamente, o movimento de entrada e saída de dinheiro dos caixas da empresa, incluindo as contas bancárias e o caixa físico.

Portanto, o acompanhamento dos registros de recebimento das receitas e pagamentos das despesas durante um determinado período é o que chamamos de controle de fluxo de caixa, sendo um dos principais relatórios gerenciais para serem adotados por qualquer empresa.

Ele inclui todas as receitas, como pagamentos dos clientes pela venda de produtos e ganhos com juros em aplicações financeiras, e todas as despesas, como o pagamento de fornecedores, das contas de luz, água e telefone, de juros de empréstimos e pequenas despesas diárias.

Qual a diferença entre fluxo de caixa direto e indireto?

Para entender as diferenças entre os dois tipos de controle, o mais fácil é começar por diferenciar os regimes de caixa e de competência, que se referem a formas diferentes de contabilizar as despesas. No regime de caixa, elas são classificadas de acordo com a data de vencimento. No de competência, conforme são consumidas ao longo de um período.

Por exemplo, uma conta de luz com vencimento no dia 05 de cada mês entra no fluxo de caixa do mês no qual é paga, mas foi consumida no mês anterior, portanto, compete ao mês passado, se o objetivo for determinar o total dos custos operacionais daquele período.

Talvez, no seu caso, a conta de luz não varie muito em valor de um mês para o outro. Por isso, pode não representar uma grande diferença, mas em um comércio com muitos equipamentos elétricos, ela pode variar bastante. Contudo, a mesma lógica vale para cada uma de suas despesas, incluídas as que variam muito de um mês para o outro, conforme o movimento também se altera.

Fluxo de caixa direto

Pois bem, o fluxo de caixa direto considera o regime de caixa, ou seja, as despesas lançadas de acordo com a data de vencimento, de modo a permitir o controle e a programação das entradas e saídas. 

Esse monitoramento é muito importante, pois, independentemente do lucro auferido em determinado período, pode faltar dinheiro no caixa para pagar as despesas, se elas vencerem antes das entradas de receita.

Por exemplo, digamos que uma empresa efetuou um total de R$ 500 mil reais durante o mês, mas deu prazo de pagamento em duas parcelas, a primeira vencendo em 30 e a segunda em 60 dias. Para entregar o produto ou serviço, ela terá um custo total de R$ 400 mil, gerando um ótimo lucro.

Contudo, os fornecedores da empresa trabalham com prazo máximo de 15 e 30 dias, o que significa que ela vai ficar devendo R$ 200 mil em 15 dias e um pouco menos em 30, depois que receber a primeira parcela.

Ainda assim, ela provavelmente terá outras entradas, de outros clientes nesse período, o que poderá ou não ser suficiente para cobrir essas despesas. É justamente essa disponibilidade o principal controle do fluxo de caixa direto.

Fluxo de caixa indireto

Já no caixa indireto, o controle é feito com base na competência de cada gasto em uma relação de conciliação com o fluxo direto. Assim, ele apura o resultado contábil de cada período, buscando monitorar o resultado operacional.

Para apurá-lo, devemos partir do lucro líquido, como se todas as despesas e receitas fossem pagas no período, independentemente do vencimento, excluindo em seguida as contas que não têm impacto no caixa, como a depreciação lançada no balanço e os investimentos.

O objetivo é levantar a variação líquida do caixa, ou seja, enquanto o fluxo direto serve para identificar e acompanhar o valor de cada uma das entradas e saídas de caixa, o regime indireto serve para avaliar a variação do fluxo, garantindo a saúde financeira da empresa, que será positiva enquanto a capacidade de geração de caixa for superior ao capital circulante necessário.

Qual a importância desses controles?

Com um monitoramento combinado das duas modalidades de controle de fluxo, a empresa melhora a precisão na gestão do capital disponível em caixa, o que evita atrasos de pagamentos, bem como as multas e os juros decorrentes, além de otimizar a capacidade de investimentos, permitindo, inclusive, que a organização faça aplicações em períodos nos quais verifica que terá dinheiro parado em caixa, se for o caso.

Além disso, tenha em mente que os problemas de controle de fluxo de caixa não têm efeito momentâneo apenas, ou seja, que são resolvidos tão logo as receitas entrem no caixa. Se uma empresa comprar demais, vai ver o total imobilizado em estoque crescer, mas menos liquidez de caixa, dificultando os investimentos em divulgação e a expansão do negócio, por exemplo.

Agora que você sabe a diferença entre fluxo de caixa direto e indireto, precisa pensar em como utilizar essas ferramentas na sua empresa. A dica principal é pensar em termos de utilidade, ou seja, relacionar esses conceitos com o dia a dia da sua organização, identificando em quais situações eles podem ser úteis para a gestão do negócio. 

Para conhecer as práticas que deve adotar, acesse esta postagem complementar: “Descubra como fazer o controle de caixa da sua empresa“.